O desenvolvimento de mecanismos práticos que auxiliam no monitoramento da saúde do solo (ou melhor, de sua microbiota, que é o conjunto de microrganismos presentes) é uma importante ferramenta produtiva, tendo em vista que o sucesso agrícola está intimamente ligado com uma performance saudável da lavoura. Nesse cenário, a identificação prévia e assertiva de um possível desequilíbrio microbiológico é certamente melhor que recorrer apenas a tentativas posteriores de remediar um solo bioquimicamente já desgastado. Por isso, naturalmente, monitorar indícios precoces de instabilidade na microbiota das lavouras é uma estratégia de prevenção que antecipa riscos e que direciona decisões bem fundamentadas para o manejo agrícola antes que a produtividade entre em declínio.
O solo, por ser um complexo ecossistema biológico em que interagem diversos microrganismos, deve passar por inspeção para que seja avaliada sua qualidade funcional; isto é, garantir que as proporções, por exemplo, de agentes fixadores de nutrientes, decompositores, protetores contra patógenos, promotores de crescimento vegetal, etc., estejam em faixas recomendadas para cultivo. Assim, pode-se explorar alguns indicadores de instabilidade microbiológica a partir de conceitos relativamente simples de serem compreendidos, como o de diversidade microbiana.
Indicadores de desequilíbrio:
A diversidade microbiana é um bom indicador de estabilidade ecológica. Solos com maior diversidade tendem a resistir ao estresse ambiental, às variações climáticas e a infecções patogênicas. O termo ‘’diversidade’’ reflete a avaliação de dois parâmetros ecológicos fundamentais: riqueza (quantidade de espécies presentes) e equitabilidade (o quão bem distribuídas no solo estão essas espécies). Dessa forma, a estabilidade funcional da lavoura deve apresentar bom desempenho em ambos os parâmetros, sendo importante garantir um ambiente que suporte nutritivamente essa diversidade (como disponibilidade de matéria orgânica, irrigação constante, manutenção dos índices de pH, descompactação do solo, uso equilibrado de insumo químicos, etc.). Portanto, o comprometimento desta microbiota pode resultar numa maior vulnerabilidade do solo em determinados períodos produtivos e afetar sua recuperação natural, impactando gravemente a qualidade do atual e dos seguintes lotes cultivados.
Um solo que apresenta boa diversidade assegura que os grupos de espécies benéficas ao cultivo, responsáveis pelo bom desempenho da produção, permaneçam interagindo entre si e forneçam robustez contra patógenos ao ecossistema, de modo que se recupere rapidamente após períodos de instabilidade climática ou de escassez.Nesse mesmo contexto, pode-se destacar a proporção entre bactérias e fungos no solo como um relevante indicador para o funcionamento do ecossistema agrícola. Bactérias atuam como decompositores de matéria orgânica a curto prazo, transformando-a em nutriente para as raízes da planta de maneira rápida, como resposta a pequenas variações ambientais.
Fungos, por sua vez, decompõem compostos mais complexos, e estendem-se pelo solo, sustentando e aerando a terra, além de se associarem às raízes para oferecer-lhes nutrientes. O abalo dessa proporção resulta em um solo vulnerável e sensível a alterações ambientais, tornando-o excessivamente dependentes de produtos químicos para que se estabilize o nível de produtividade do lote anterior.
Paralelamente, também residem e desenvolvem-se no solo microrganismos com potencial danoso, os quais seriam naturalmente contidos pela comunidade microbiana local. Quando essa proteção ecológica é desbalanceada, tais patógenos podem entrar em competição com microrganismos benéficos por nutrientes e hospedeiros, parasitando um ecossistema que idealmente deveria conter seu crescimento. É comum que, diante desse cenário, os produtores, novamente, aumentem a quantidade de insumos utilizados, apesar de essa estratégia gerar mais estresse ao gênero cultivado e apresentar potencial de comprometer severamente o uso do solo a longo prazo.
Monitoramento do sistema produtivo:
É visível, portanto, que o declínio do potencial agrícola do solo revela indícios do colapso produtivo. Para que esse cenário seja evitado e tais indicativos sejam identificados, é fundamental o monitoramento constante por avaliações microbiológicas metagenômicas e, sobretudo, por ferramentas de bioinformática.
O sequenciamento de amostras de material genético do solo permite inferir os grupos taxonômicos presentes, ou seja, descreve a composição microbiológica sobre a qual se desenvolve a cultura. Assim, pode-se identificar padrões e sintomas de decadência agrícola a partir de dados biológicos assertivos, de modo que estes fundamentem as técnicas de manejo adequadas para evitar a queda na produtividade a longo prazo. Aprofunda-se o diagnóstico microbiológico pela medição da diversidade microbiana com o Índice de Shannon (H’), por exemplo, comumente utilizado para estimar com precisão os parâmetros da diversidade (riqueza e equitabilidade) e classificar a saúde do solo ao longo do tempo, sendo este índice uma boa métrica de monitoramento comparativo entre diferentes porções da lavoura ou entre a mesma terra periodicamente.
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Referências:
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LOZUPONE, Catherine A.; KNIGHT, Rob. Species divergence and the measurement of microbial diversity. FEMS Microbiology Reviews, v. 32, n. 4, p. 557–578, jul. 2008.
YOUSSEF, Noha H.; ELSHAHED, Mostafa S. Species richness in soil bacterial communities: A proposed approach to overcome sample size bias. Journal of Microbiological Methods, v. 75, n. 1, p. 86–91, set. 2008.

